Ceres – Cerâmicas Reunidas, SA

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Fundada em 1956, a empresa Ceres – Cerâmicas Reunidas, SA, situada em Torre de Vilela, Coimbra, começou a mostrar sinais de declínio nos finais do século passado. Porém, é  a partir de 2002 que, a acumulação de prejuízos e incumprimento de obrigações, dita o encerramento da fábrica em Julho de 2006, tendo os  cerca de 200 trabalhadores visto os seus contratos serem suspendidos.
A 22 de Setembro de 2008 reabre com 49 trabalhadores que, por volta das 08:00 da manhã, se concentraram junto dos portões da fábrica prontos para trabalhar com um misto de expectativa e optimismo. Por esta altura, o objetivo era tentar exportar o grosso da produção de revestimentos e sanitários principalmente para França e Inglaterra, não esquecendo, no entanto, o mercado nacional.
Contudo, a insolvência da empresa veio a ser declarada em Março de 2010. No dia 25 desse mesmo mês, os trabalhadores (então cerca de 120) fecharam a cadeado os portões da fábrica impedindo a saída de matéria-prima e outros bens do interior das instalações. O administrador da Ceres, Francisco Lemos, argumentou junto dos trabalhadores que a declaração de insolvência da empresa, decretada pelo tribunal de Coimbra, no dia 24, não impedia a retirada de matéria-prima. Os manifestantes demonstraram-se, no entanto, dispostos a não abandonar o local e a bloquear a saída de qualquer carga, enquanto não tivessem a garantia de que não seria “retirado nenhum material” do interior da fábrica.
Em Junho de 2010, a Segurança Social votou contra a proposta de Francisco Lemos de recuperar a Cerâmica Ceres. Com a recusa é dado seguimento ao plano do gestor judicial, que propõe o “encerramento definitivo e liquidação dos activos”, não sendo sequer necessário os credores, entre os quais os trabalhadores, voltarem a reunir. Por esta altura, uma outra empresa de Coimbra, a Poceram, enfrentava as mesmas dificuldades.
No final de Julho do mesmo ano, o património da Ceres vai a leilão, mas as propostas ficam muito aquém das expectativas, com valores muito inferiores aos licitados inicialmente.
Em Outubro, três meses mais tarde, os trabalhadores aprovam o valor de cerca de 8.000.000€ para vender a fábrica e terrenos mas o processo de falência é atrasado por alguns recursos junto do Tribunal do Trabalho, por exemplo, por causa da decisão deste mesmo Tribunal de reconhecer a dois administradores da Ceres, que representavam 81% da empresa, o estatuto de trabalhadores e que assim reclamavam indemnizações de 450 mil euros.

Em finais de 2011 ainda os portões da fábrica se encontravam fechados, sendo esta vigiada por um segurança que zelava pelo pouco património que resistia no seu interior à espera que os felizes “vencedores” dos leilões os viessem “reclamar”.

As fotos que aqui iremos colocar são dessa altura e em breve teremos outras mais recentes, talvez num post de comparação.

Vale a pena também ver estes links relacionados com esta fábrica.
Fecho da Cerâmica Ceres in RTP1 – 14-01-2008
Cerâmica Ceres de Coimbra retoma laboração in RTP1 – 22-09-2008
Ceres: “Vivemos aqui tantos dias” in Diário As Beiras – 15-03-2013

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Fascinam-me estes locais que têm tanta história para nos contar!

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